ARTE CUZQUENHA
APRESENTAÇÃO
Certa feita encontrei-me diante de
alguns trabalhos Cuzquenhos e me encantei com esse tipo de expressão artística
que, de certo modo, me transportava para os interiores das igrejas coloniais da
minha terra. Assemelhava-se à arte sacra européia medieval, impregnada,
entretanto, de ares de primitivismo, o que lhe conferia característica
exclusivas.
A curiosidade e a sede de conhecer mais sobre esse tipo de arte, que não fosse, apenas, a sua origem peruana, levaram-me à leituras diversas sobre a história e as características da Arte Cuzquenha, o que me propiciou, agora, oferecer este sumaríssimo e despretensioso artigo sobre o assunto.
HISTÓRIA E CARACTERISTICAS
A cidade Peruana de
Cuzco fez história por ter sido a capital do império
Inca. Com a sua conquista pelos espanhóis, no ano de 1534, radicais mudanças se
operaram em todas as suas esferas de vida, mormente na política e
na cultural, influenciando, sobremaneira, nas suas expressões
artísticas.
À época, a usurpação das riquezas da novel colônia passou a impor a necessidade de pacificação dos seus habitantes originais, o que os colonizadores buscavam alcançar, também, através da catequese voltada para a conversão daquelas almas, ditas pagãs, à religião católica.
A fala era, então, o único meio, não muito eficaz em razão das diferenças de linguagem, para a evangelização do povo Inca, evidenciando, assim, a necessidade de se acrescentar algo que tornasse mais efetiva
a catequese.
Á vista disso, relatado o fato ao Reino colonizador, este, a Espanha, apostando que a palavra aliada a imagens doutrinárias contribuiria para facilitar as ações catequéticas, enviou à colônia um grupo de religiosos versados em artes sacras, para lá produzirem as primeiras representações pictóricas e montarem escolas que deveriam formar pintores, nessa arte, entre os índios e mestiços que demonstrassem aptidão para tanto.
Os temas que, então, afloraram, com o ensino da arte do desenho e da pintura á óleo, foram exclusivamente religiosos e se assemelhavam as obras dos mestres italianos da idade média, com cenas bíblicas de Jesus, da Virgem Maria, dos santos católicos e aquelas demonstradoras de paraíso e inferno.
Surgiu, assim, a “Arte Cuzquenha” que, com suas características exclusivas, se difundiu por outros países próximos como a Bolivia e o Equador, com a produção de obras de autores desconhecidos na sua quase totalidade, mantendo, no entanto, a denominação de “Cuzquenho” em razão de ter nascido na cidade de Cuzco, onde, em verdade, se fundou a primeira escola de arte do chamado mundo novo.
Nessa expressão artística, o desenho, em si, mostra uma total despreocupação com a perspectiva e a proporcionalidade das figuras que se apresentam destorcidas, propositadamente, para dar maior dramaticidade à cena, aumentando, por exemplo, a dimensão da imagem principal e reduzindo a das demais figuras, para forçar uma demonstração da superioridade e autoridade religiosa dos santos.
Quanto a representação pictórica, a “Arte Cuzquenha” se utiliza, preferencialmente, das cores terrosas, dos amarelos e vermelhos escuros, como também, dos dourados metálicos que dão aos suntuosos mantos, contornos enfáticos em fundos impregnados de anjos e arcanjos.
Seus quadros possuem uma tocante expressão artística, mas, em que pesem a beleza e as marcantes raízes históricas, não alcançam um expressivo e merecido valor no mercado de arte. Demandam ser enquadrados em molduras rebuscadas, douradas, trabalhadas ou entalhadas, o que complementa o seu aspecto assaz imponente
Antonio Magalhães
Cuzquenhos do nosso acervo - Autores desconhecidos


