UMA AVENTURA NO CAMPO
DA
PINTURA ARTÍSTICA


I - O DESPERTAR


Quando adolescente, estudei no Colégio Marista que distava, apenas, duas quadras de onde eu morava, no bairro do Canela, em Salvador. Esse colégio comportava, também, um internato, desenvolvendo as atividades letivas curriculares, tão só, pelas manhãs, reservando as tardes para a banca dos internos, a prática de esportes e outras atividades extra curriculares dentre as quais algumas voltadas para as artes cênicas, praticadas no seu salão de teatro.

Em face da proximidade da minha morada, era interessante para mim a ida ao Colégio durante algumas tardes, onde e quando podia jogar uma "pelada" com os meus colegas internos, aprimorar meu relacionamento com os Irmãos Maristas, meus professores e participar de alguma outra atividade que por lá se apresentasse.

Assim foi que, certa feita, em uma das tardes que por lá estava, o meu professor de desenho, um Irmão chamado Aventino, me convidou para ajudá-lo na recuperação de alguns cenários do teatro, convite esse que, de pronto, aceitei, passando a, sempre que necessário, ajudá-lo nesse affair,  tendo sido essa, em verdade, a primeira vez   que tive a oportunidade de utilizar de pincéis e tintas para trabalhar com algo artístico. Apreciei muito essa atividade que, além de me entreter bastante,  ensinou-me  algumas técnicas do trabalho com cores, tintas e pincéis.



II - O INÍCIO


Muitos anos se passaram sem que eu voltasse a ter, ou a promover,  qualquer outra oportunidade de fazer contato com a atividade de pintura  artística, até quando o meu primeiro filho, ainda criança, demonstrou interesse em aprender pintura. Fui, então à busca de alguma instituição onde pudesse matriculá-lo para essa aprendizagem e  deparei-me com a Galeria Panorama, então situada na Barra, no Jardim Brasil, espaço de arte no qual a  Artista Plástica Anna Georgina, uma das proprietárias da Galeria, lecionava pintura, inclusive para crianças. 

Matriculei o meu filho, adquiri, prontamente, todo o material que, para tanto,  se fazia  necessário e, durante alguns meses acompanhei a sua aprendizagem, quando pude constatar, não só a dedicação de Ana Georgina no ensino da arte, , como, também, a qualidade do seu trabalho artístico representado por belas marinhas expostas em uma coletiva sua, naquela   Galeria, uma obra que muito apreciei e que  despertou em mim um recôndito desejo de  me aventurar nesse mister.  

Pois bem, o interesse do meu filho por aquela atividade artística, entretanto, não perdurou,  deixando ficar sem uso todo o material e ferramentas de pintura  que eu havia adquirido, fato esse que me instigou a utilizá-lo numa tentativa de produzir algo.
         
No inicio foi um verdadeiro desastre. Desperdicei tintas e danifiquei pincéis, sujando, isso mesmo, sujando telas, inclusive, esforçando-me,   para identificar com qual tipo de motivo, ou com que estilo, eu teria melhor sorte para conseguir, se conseguisse, pintar algo.

Adquiri  livros e li muito, além de, amiúde,  visitar galerias e exposições de artes plásticas. Como autodidata, conclui não ter habilidade alguma para, por exemplo, pintar figuras humanas, casarios e outras coisas  mais,  entendendo, outrossim, que poderia tentar as paisagens, mormente as marinhas.

Fruto desse esforço e dessa dedicação,  após inúmeras telas fracassadas, pude, entre os anos de 1976 e 1979, produzir alguns trabalhos que demonstrariam, para mim mesmo, uma maior aptidão para as pinturas  figurativas  de paisagens  e marinhas, como também, das abstratas,  como se pode notar nos meus primeiros trabalhos, alguns dos quais trago a seguir.

Óleo sobre tela - 1976 a 1979






III - ABANDONO E RETOMADA


Contudo. as atribulações das minhas atividade profissionais, tanto na esfera  tecnológica das telecomunicações, desenvolvidas junto a Tebasa, Telebahia e Telebrás, como também na esfera do Direito seja como advogado, empresário ou ocupante de cargos públicos no Judiciário e no Legislativo, conduziram-me a, por anos afio, abandonar a excitante e agradável arte da pintura artística  

Ao se aproximar o casamento do meu segundo filho quando, isso  já no ano de 2005, ele,  desencavando e  recuperando o material de pintura que eu ainda guardava, adquiriu uma tela em branco e, entregando-me tudo, intimou-me a voltar a pintar, para que, também com o trabalho que eu viesse a  produzir, guarnecesse a sua nova residência.

Atendi a essa convocação e iniciei a pintura de uma tela que, no entanto, só viria a  concluir em 2009, quando, após a minha aposentadoria, retomei as atividades de pintura artística, inclusive para afastar os fantasmas que, normalmente, passam a pulular a mente daqueles que, como eu,  após 47 anos de trabalho intenso, veem drasticamente reduzidas as suas atividades laborais.

Ao retomar essa atividade, escolhi como tema as paisagens bucólicas e as marinhas, principalmente as marinhas, pois, nesse tema me senti mais à vontade, mormente por ser um  baiano apaixonado pelo mar e encher de razão  Caymmi quando, numa inspiração divina de  acerto simplista, poetizou no seu cancioneiro, que “o mar, quando quebra na praia, é bonito, é bonito”,  referindo-se, sem dúvida,  ao mar da Bahia.

Justo, contudo,  não é ser, apenas,  um baiano ufanista, mas sim, um nordestino ufanista, já que, as belezas cantadas e contadas pelos poetas destas terras, se espalham por todo nordeste brasileiro, desde o mar aos campos e matas em paisagens marinhas e bucólicas inefáveis, assentadas nos belíssimos contornos topográficos, na infindável variedade dos verdes de sua rica vegetação, no colorido do seu solo e nas molduras oferecidas por seus céus sedutores, impondo uma interpretação extensiva do cantar, também,  de Caymmi,  para dizer que o baiano, ou mais propriamente, o nordestino, “nunca precisa dormir pra sonhar, porque não há sonho mais lindo do que sua terra, não há”

A inspiração para as singelas telas que passei a elaborar vieram, justamente, da natureza e, nela, de um encanto que, ainda, me alenta a vida, apesar dos anos que já me pesam e de um ocaso que corre para esconder-se em noite que se aproxima. Mas..., como bem  expressou Dalila Veras em um dos seus poemas: “Que são os anos para quem vive sob permanente encantamento? – Que é da existência quando desfeita a paisagem?”

E foi com esse encantamento que, entre os anos de 1009 e 2012, produzi varias telas, não tantas quanto gostaria, algumas das quais aqui retrato.


Óleo sobre tela - 2009 a 2012


Praia e barra


Praia de enseada


Praia pedregosa

O verde e o mar


Recanto de Clarissa


Tributo a Cauiza


Tributo a oxóssi



Praia batida


Praia virgem

IV - NOVA MODALIDADE DE PINTURA


Já no ano de 2013, movido pela indisponibilidade de um local próprio e específico  para a prática da atividade de pintura artística, bem como pelo manuseio amiúde de tintas, vernizes e solventes que já me provocava incômodos, tive que  reduzir, drasticamente, as minhas atividades de pintura.

E foi nesse contexto que, certo dia, assistindo, na televisão, a uma matéria sobre a festividade anual da cidade de Cachoeira / Bahia, tomei conhecimento, através de uma entrevista com um artista plástico local, de que ele já passara a exercitar a sua arte  mediante a utilização de meios digitais, imprimindo, posteriormente, os seus trabalhos em belas telas, algumas das quais, então, apresentou.

O assunto me interessou  largamente e eu passei, então, a pesquisar tudo que a isso se referia, constatando, inclusive, que inúmeros artistas nacionais e estrangeiros já estavam se dedicando a essa moderna e avançada técnica de pintura.

É que, os artistas plásticos, como todos neste atual mundo de arrojado desenvolvimento tecnológico, não poderiam quedar estagnados em suas técnicas tradicionalistas de pintura, apenas por  apego a elas  ou por mera reação ao novo, mesmo quando esse novo venha a demandar um adicional  esforço e dedicação na aprendizagem e manuseio de novas e avançadas ferramentas que, no entanto, não prescindem da habilidade do artista na expressão mais pura de sua arte.

Isso ocorreu, por exemplo, com a fotografia artística que, nos dias atuais, não mais prescinde das câmeras digitais na captura das mais apreciáveis imagens, sem desmerecer, em nada, o trabalho do artista, do qual se exige adicionais habilidades e conhecimentos tecnológicos no manuseio das novéis ferramentas.

O resultado fotográfico nas estampas, não mais se processam através de papeis quimicamente tratados para reproduzir as fotos por exposição às projeções dos negativos e posterior tratamento para a  fixação da imagem. As impressoras fotográficas de alta resolução fazem esse trabalho com qualidade e rapidez inegavelmente maiores que o método antigo.

Nas artes plásticas a situação não é diferente. Os computadores modernos e os softwares altamente evoluídos estão pondo à disposição dos artistas plásticos a possibilidade de expressarem suas habilidades artísticas, dispensando,  apenas, os meios físicos e químicos, tais como pincéis, espátulas, tintas, vernizes e solventes, aplicados diretamente às telas.

A pintura digital passa a ser, em verdade, a mais avançada manifestação das Artes Plásticas. Os programas de computação ou  softwares, as telas touch screen, as mesas digitalizadoras, as canetas capacitivas e os diversos tipos de pincéis virtuais são, dentre outras, as mais inovadoras e eficientes ferramentas para todo o artista plástico, após algum  treino na técnica de sua utilização.

É, à toda evidência, uma pintura manual e artística, registrada, entretanto, em arquivo digital, para ser levado à impressão em Canvas (tela própria para impressão),  recebendo, após,  a assinatura do artista.


V - TRABALHOS DE PINTURA DIGITAL


Pois bem, aficionado que sou, também, da tecnologia digital,  mergulhei nessa nova e avançada técnica de pintura artística, buscando  experimentar e   aprender os recursos e o manuseio de alguns dos vários softwares disponíveis, vindo a fixar-me em um deles que, além  de ser um Shareware, está em constante desenvolvimento, com novas ferramentas oferecidas, inclusive,  pelos próprios usuários. É o Gimp, que aqui não me nego a divulgar e festejar.

Assim, com o propósito de abraçar esse novel método de trabalho  artístico, dediquei-me a produzir algumas obras, fazendo-as em dois estilos diversos: O figurativo Estilizado e o Não Figurativo ou Abstrato.

O estilo Figurativo contempla as manifestações que representam  a forma humana, os elementos da natureza e os objetos criados pelo homem. Ele pode ser realista ou  estilizado, caracterizando-se este último por conter algumas eventuais abstrações ou despreocupações do artista com  detalhes.

O estilo Não Figurativo ou Abstrato é um substrato do Expressionismo e se caracteriza pela expressão da beleza na composição integrada de formas e cores que não se identifiquem com qualquer objeto conhecido, tornando-o um estilo artístico cuja  apreciação permeia o campo do subjetivismo.


Figurativo Estilizado - 2013 a 2015


Aguada


Alvorada bucólica


Chapada


Mangues


Enseada


Dunas


Marinha I
Marinha II
Marinha III

Marinha IV
Ocaso mateiro
Ocaso Desértico
Ocaso pantaneiro
Ocaso praiano
Ocaso ribeirinho
Onda azul
Serenidade
Vista mar


Não Figurativo ou Abstrato - 2013 a 2015



Burburinho


Cadente


Desmentido
Distorções
Egrégora
Embalos
Fenômeno
Flamejo
Icarus
Madeiro
Nevada
Pesponto
Phoênix em chamas
Queda
Sinusoide
Serpentário
Tempestuoso
Turbilhão
Variações